segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O repensar da relação humano-ambiental



Um pequeno excerto de um trabalho. De facto, a nossa interacção com a Natureza, para o seu e para o nosso bem (não será o mesmo?) tem de ser repensada...


“Em última instância, o comportamento das sociedades em geral quanto à biosfera tem de ser transformado, se se pretender assegurar a consecução dos objectivos conservacionistas. É necessária uma nova ética, que abranja não só as pessoas mas também as plantas e os animais, para que as sociedades humanas vivam em harmonia com o mundo natural, do qual dependem para a sua sobrevivência e bem-estar. A longo prazo, a tarefa da educação ambiental consistirá na promoção ou no reforço de atitudes e comportamentos com esta nova ética.”

Estratégia Mundial de Conservação (1980)

Dá que pensar, não?
Por: Carlos

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A Procura do Mestre

Meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo, - e o tempo é espírito em fieri. Mais outro tanto, e apenas tocaremos metade da memorialidade de Virgílio.
Somos, portanto, gente nova. Mas vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas, antes se projecta num passado telúrico que os geólogos reduzirão a tempo, se quiserem... Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra. A geografia, para nós, vale outro tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem uns cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. Os nossos ossos mergulham no mar.

Vitorino Nemésio

Onde está o ponto originário da Identidade

Não deixou de preocupar-me, aquando da minha busca de uma definição de identidade, esta que aqui deixo expressa “identidade é uma relação de si consigo (a minha identidade é o meu próprio ser) ou, quando não se trata de sujeitos, uma relação entre objectos idênticos”.
Define-se identidade, ter a mesma identidade, como o ser o mesmo que o próprio. Assumindo esta perspectiva, podemos evidenciar numa primeira análise que a Identidade, além de ser restrita ao Ser, ela é também a característica que se define a si mesma pela unicidade absoluta de cada ser em si mesmo, longe de partilhar qualquer semelhança que já não podendo ser identificativa de um ser, se perde neste jogo unitário, onde não parece, à primeira vista, poder haver lugar para outros-iguais.
Não posso deixar de referir já aqui o quanto achei curioso que, a tratar-se de sujeitos (podia então ler-se açorianos), a identidade é a relação de si consigo, logo de cada um consigo próprio, deixando ainda esta definição a consideração de uma possibilidade de identidade entre objectos idênticos. Ora esta segunda parte interessar-nos-á menos, se exclusivamente referida a objectos como parece óbvio, uma vez que está em causa o sujeito.
Mas esta é apenas a consideração em sentido estrito como defende a expressão de Quine no mesmo dicionário “uma coisa é idêntica a si mesma e a nenhuma outra, nem mesmo a um duplo gemelar”. Também aqui vemos tornar a nossa empresa mais árdua, se o objectivo for, por enquanto, o de defender a existência de uma Identidade de grupo, pois que isso implicaria a negação do princípio referido por Quine. Uma Identidade de grupo implicará, nesta perspectiva, uma identificação entre sujeitos diversos. A consideração de uma identidade, como já foi referido anteriormente, identificadora do próprio Ser consigo mesmo, não deixa margem para dúvidas, de que falar de uma Identidade de grupo será uma tarefa difícil.
Julgo que a mesma será no mínimo pertinente.

Por: Lourenço