Não deixou de preocupar-me, aquando da minha busca de uma definição de identidade, esta que aqui deixo expressa “identidade é uma relação de si consigo (a minha identidade é o meu próprio ser) ou, quando não se trata de sujeitos, uma relação entre objectos idênticos”.
Define-se identidade, ter a mesma identidade, como o ser o mesmo que o próprio. Assumindo esta perspectiva, podemos evidenciar numa primeira análise que a Identidade, além de ser restrita ao Ser, ela é também a característica que se define a si mesma pela unicidade absoluta de cada ser em si mesmo, longe de partilhar qualquer semelhança que já não podendo ser identificativa de um ser, se perde neste jogo unitário, onde não parece, à primeira vista, poder haver lugar para outros-iguais.
Não posso deixar de referir já aqui o quanto achei curioso que, a tratar-se de sujeitos (podia então ler-se açorianos), a identidade é a relação de si consigo, logo de cada um consigo próprio, deixando ainda esta definição a consideração de uma possibilidade de identidade entre objectos idênticos. Ora esta segunda parte interessar-nos-á menos, se exclusivamente referida a objectos como parece óbvio, uma vez que está em causa o sujeito.
Mas esta é apenas a consideração em sentido estrito como defende a expressão de Quine no mesmo dicionário “uma coisa é idêntica a si mesma e a nenhuma outra, nem mesmo a um duplo gemelar”. Também aqui vemos tornar a nossa empresa mais árdua, se o objectivo for, por enquanto, o de defender a existência de uma Identidade de grupo, pois que isso implicaria a negação do princípio referido por Quine. Uma Identidade de grupo implicará, nesta perspectiva, uma identificação entre sujeitos diversos. A consideração de uma identidade, como já foi referido anteriormente, identificadora do próprio Ser consigo mesmo, não deixa margem para dúvidas, de que falar de uma Identidade de grupo será uma tarefa difícil.
Julgo que a mesma será no mínimo pertinente.
Por: Lourenço